Sobre Hahnemann

Hahnemann, o pai da Homeopatia

Nascido na Saxônia, no dia 10 de abril de 1755, Samuel Hahnemann foi um médico alemão que desafiou os métodos tradicionais de cura de sua época. Faleceu em 1843, com 88 anos, em Paris. Deixou um legado incomensurável para a medicina. Isso porque descobriu e desenvolveu um novo método para tratar as doenças ou preveni-las de forma integrada à natureza. Hahnemann passou a se dedicar à ciência que trata pelo semelhante, a homeopatia, após testar em si mesmo os efeitos da quina. Ele testou e comprovou que se uma substância provoca determinados sintomas, essa mesma substância tem o potencial da cura de doenças cujo sintomas são semelhantes. Na ocasião, o médico já havia abandonado a medicina convencional. Decepcionado com os métodos grotescos de tratamentos medicinais que os colegas praticavam e que ele também deveria praticar, decidiu abandonar a profissão e sobreviver com a tradução de livros antigos, dentre eles, de medicina natural. Foi dessa forma que entrou em contato com obras como as do alquimista Paracelso e acabou voltando para a medicina, porém, de forma irreverente. Tanto que foi perseguido pelos boticários e os colegas da medicina convencional da época.

Similia similibus Curentur

Em 1790, ao traduzir o tratado Matéria Médica, do inglês Willian Cullen, Hahnemann deparou-se com relatos sobre as propriedades curativas da quinina, contra a malária. Testou a substância em si mesmo e veio a desenvolver sintomas semelhantes aos da doença. Hahnemann experimentou ainda outras drogas como belladona, mercúrio, digital, ópio, arsênico e diversos medicamentos de uso corrente na época. Os testes confirmaram: cada remédio provocava uma doença similar àquela para a qual era ordinariamente receitado. Similia similibus curentur, ou “semelhante cura semelhante”. Hahnemann desvendara o princípio que iria revolucionar os métodos terapêuticos. O médico dedicaria o resto de sua vida à premissa da cura pelo semelhante. Querendo fazer dela um método eficaz de tratamento, experimentava as substâncias, anotava seus efeitos no organismo e passava a utilizar as mesmas em doentes com sintomas similares.

Começou as terapias usando grandes doses. Mas, devido a efeitos colaterais, procurou desenvolver um procedimento para aplicar o medicamento sem prejudicar o paciente e evitar intoxicações. Passou, então, a diluir as substâncias e ministrá-las em pequenas quantias.

O princípio Similia similibus curentur foi batizado por Hahnemann de homeopatia – do grego “homoion”, similar, e “pathos”, doença.

Mensagem de Samuel Hahnemann

Samuel Hahnemann mudou-se muito de domicílio e tratava de uma clientela que lhe era fiel, sendo comum que recebesse solicitações de consultas por cartas, respondendo-as também pela mesma via. Por volta de 1800, recebeu uma carta escrita por um alfaite de 42 anos, que era portador de estrutura orgânica delicada e lhe pedia orientação medicamentosa para se tratar de estafa. Naquela época, um profissional daquele ofício, geralmente, era um homem culto e ele recorreu ao auxílio de Hahnemann após ter sido desenganado pelos médicos de sua região.

Aparentemente sua consulta não foi em vão: consta que viveu ainda por mais de 50 anos após ter recebido a resposta de Hahnemann:

“O delicado engenho humano não foi projetado para o excesso de trabalho”. Se algum ser humano assim proceder por ambição, amor ao lucro, ou por qualquer outro motivo pleno de louvor ou de censura, coloca-se em oposição à ordem da Natureza, e sujeita o seu corpo a sofrer dano ou destruição. Tanto mais se o organismo já estiver, por algum motivo, enfraquecido. Então, meu caro amigo: o que não puderes fazer em uma semana, faça em duas. Teus fregueses podem não estar com paciência para aguardar, mas eles também não podem racionalmente querer que adoeças, ou que morras de tanto trabalhar a fim de satisfazer as vontades deles, transformando tua esposa numa viúva e teus filhos em órfãos. Não é só o aumento do trabalho físico o que está a te prejudicar, mas bem mais a tensão mental concomitante que, por sua vez, novamente afeta o corpo de maneira prejudicial.

Se não assumires uma atitude de calma indiferença, adotando o princípio de viver primeiro para ti mesmo, e só após para os outros, há pouca chance de recuperação. Quando estiveres na tua sepultura os homens ainda estarão vestidos, talvez não com tanta elegância, mais ainda toleravelmente bem. Se fores sábio, podes tornar-se saudável e até mesmo atingir uma idade avançada..
Se algo te importuna, ignora-o; se algo te é demais, não te ocupes com isso; se outros tentam manipular o teu tempo, vai devagar e ri dos tolos que queiram te aborrecer.

Aquilo que puderes confortavelmente realizar, realiza; não te molestes com o que não puderes fazer, pois as nossas condições materiais não melhoram através da pressão exercida por sobrecarga de trabalho.
Tu apenas te desgastarás proporcionalmente mais com teus afazeres domésticos sem aferir qualquer lucro no final..
Economia e limitação de supérfluos (aqueles bens que quem trabalha duro quase sempre não possui) nos colocam em posição de viver com maior conforto, ou seja, de maneira mais racional, mais inteligente, mais de acordo com a Natureza, com mais alegria, maior tranquilidade e melhor saúde.
Por conseguinte, devemos agir com mais comedimento, sabedoria e prudência, ao invés de trabalharmos em esbaforida correria, submetendo nossos nervos à constante tensão, que destrói os mais preciosos tesouros da vida: paz no pensamento e boa saúde.

Sê mais prudente, considera a ti mesmo em primeiro lugar e deixa que tudo o mais te seja secundário em importância; e se porventura afirmarem, em nome da honra, que faz parte de teus compromissos produzires mais do que for bom para o teu potencial físico e mental, mesmo assim, por amor a Deus, não te permitas ser conduzido a fazer o que é contrário ao teu próprio bem-estar.

Permanece surdo à corrupção do elogio, acalma-te e segue teu próprio curso lenta e suavemente, como um homem sadio e sensato. – Desfrutar com a mente e corpo tranquilos, esta é a razão para a qual o homem está no mundo, e para trabalhar somente o tanto necessário para conquistar os meios desse desfrute e não, com certeza, para se deixar consumir e fatigar pelo trabalho.

O eterno esforço e empenho dos mortais de curta visão a fim de lucrar mais e mais, de assegurar uma honra ou outra, de prestar um serviço a esta ou àquela personalidade, tudo isso geralmente é fatal ao bem-estar e constitui causa comum de envelhecimento e de morte precoces..

O homem calmo e moderado, que deixa as coisas fluírem suavemente, atinge o mesmo objetivo, vive mais tranquilo e saudavelmente, e conquista uma boa velhice.

Em seus momentos de paz pode haver espaço para acolher uma ideia feliz, fruto de um pensamento sábio e original, que dê um ímpeto lucrativo aos seus afazeres temporais. Lucro bem maior do que pode ser obtido pelo homem sobrecarregado que nunca encontra tempo para concentrar seus pensamentos.
Para vencer a corrida, só velocidade não é suficiente. Empenha-te em permanecer um pouco indiferente, em ser calmo e tranquilo e então chegarás a ser aquilo que eu desejo que tu sejas.

Experimentará coisas maravilhosas; verás quão saudável te tornarás se seguires o meu conselho. E teu sangue correrá calmo e serenamente em tuas veias, sem esforço ou agitação. Nenhum sonho terrível perturba o sono daquele que se deita para repousar com nervos calmos, e o homem que está livre de preocupações acorda pela manhã sem ansiedade a respeito dos múltiplos afazeres que o aguardam durante o dia.

Para que se preocupar? A alegria da vida lhe é mais importante do que qualquer outra coisa. Com fresco vigor inicia moderadamente teu trabalho e durante tuas refeições nada, nem ebulições de sangue, nem preocupações, nem ansiedade te impeçam de saborear o que o Beneficente Provedor da Vida coloca diante de ti; e assim, um dia se segue a outro em tranquila sucessão, até que, finalmente, com uma idade avançada, chegues ao término de uma vida bem vivida, e repouses serenamente noutro mundo, como neste calmamente viveste. Isto não é mais racional, mais sensato? Deixa que os homens insaciáveis e autodestrutivos haja tão irracional e danosamente contra si mesmos quanto o quiserem; deixa que sejam tolos, mas tu deves ser mais sábio.
Não me deixes revelar esta sabedoria a respeito da vida em vão. Quero-te bem.
Adeus.

Segue meu conselho e quando tudo estiver bem contigo lembre-se do Dr. S. Hahnemann. PS: Ainda que te veja reduzido ao teu último centavo, permaneça alegre e de bom ânimo. A Providência olha por nós e uma boa oportunidade deixa tudo certo de novo.

Quanto necessitamos para viver, para restaurar nossas forças com alimentos e líquidos sadios, ou para nos defendermos do frio e do calor? Pouco mais do que coragem. Quando nós a possuímos podemos obter o essencial sem muito problema. O sábio não necessita senão de pouco. “A energia conservada não precisa ser renovada por remédios”.

 

Cronologia da vida de Hahnemann

1755

Samuel Hahnemann nasce a 10 de abril, em Meissen.

1779

Hahnemann doutora-se pela Universidade de Erlanger. “Hahnemann conclui o doutorado”

1787

Hahnemann abandona a profissão.

1790

Hahnemann traduz a Matéria Médica de Cullen.

1796

Hahnemann   publica      “Ensaio  para  descobrir   as   virtudes   curativas  das substâncias medicinais, seguido  de alguns comentários sobre os princípios admitidos até nossos dias”. Na Inglaterra,  Edward   Jenne  e  na  Alemanha,  Von  Halle,  usam  a  vacina  antivariólica.

1805

Hahnemann publica “Escapulápio na Balança”.

1806

Hahnemann publica “Medicina da Experiência” e “Fragmenta de viribus medicamentorum positivis sive in sano corpore humano observatis”.

1810

Hahnemann publica o “Organon da Arte de Curar”.

1811

Hahnemann publica o vol. I da “Matéria Médica Pura”.

1815

Realiza-se   o  Congresso   de   Viena,  determinando  os  novos  limites  para os países da Europa.

1816

Hanemann publica o vol. II da “Matéria Médica Pura”. O médico francês René- Hyasc. Laënnec  descreve  a  tuberculose   pulmonar  e  em  seguida  o  método  propedêutico de consulta pelo estetoscópio.

1817

Hahnemann publica o vol. III da “Matéria Médica Pura”

1818

Hahnemann publica o vol. IV da “Matéria Médica Pura”.

1819

Publica a 2a  edição do Organon e o vol. V da “Matéria Médica Pura”

1821

Publica o vol. VI da “Matéria Médica Pura”

1824

Realiza-se a 1a tradução francesa da 2a ed. alemã do Organon. Estreia simultaneamente a Missa Solene e a nona Sinfonia de Beethoven.

1828

Publica a 1a  ed. dos vols. I e II das “Doenças Crônicas”.

1830

Publica a 1a  ed. dos vols. III, IV e V das “Doenças Crônicas”.

1835

Publica a 2a  ed. dos vols. I e II das “Doenças Crônicas”.

1837

Publica a 2a  ed. do vol. III das “Doenças Crônicas”.

1838

Publica a 2a  ed. do vol. IV das “Doenças Crônicas”.

1839

Publica a 2a  ed. do vol. V das “Doenças Crônicas”. 

1843

Morre a 2 de junho, em Paris, aos 88 anos de idade.