Física quântica (FQ) e a ciência da homeopatia (CH)

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INTRODUÇAO

O tema escolhido para o estudo aqui relatado trata das relações da Física Quântica (FQ) e a Ciência da Homeopatia (CH). Varias são as razões que me levaram à escolha deste tema.

Doutora em Psicologia da Educação, interessada em novos campos de conhecimento, em 2009 iniciei o Curso de Gestão em Terapias Holísticas, concluído em 2010. Sem nunca ter estudado Física, fiquei encantada com a descoberta da Física Quântica (FQ) e suas relações com um novo conceito de medicina que considera o homem composto de vários corpos sutis, além do corpo físico. Como professora de Psicologia da Educação, escolhi como tema do meu trabalho de conclusão do mencionado curso as relações entre a FQ, a Psicologia e a Educação. A minha monografia já submetida à Banca tem como titulo Física Quântica, Psicologia e Educação – a relação entre essas áreas.

Apesar de ter sempre minha profissão de educadora voltada para uma visão humanista da ação educativa, na realização da monografia tive a oportunidade fazer muitas outras descobertas que aprofundaram essa minha visão a partir da compreensão agora não mais só de um homem concreto e contextualizado, mas de um ser humano holístico.

Na ocasião, entre outros, li o livro Medina Vibracional , de Richard Gerber, o qual apresenta um novo entendimento do organismo humano como campos de energia multidimensionais que se afetam mutuamente, cujo desdobramento atual desse modelo recebe, entre outros, o nome de medicina holística. Essa e varias leituras realizadas na área da FQ abriram ainda mais o meu campo de conhecimento para uma nova visão não só de educação, como agora de saúde, doença e cura, percebendo o quanto a educação em geral, e a escolar em particular, pode ajudar na formação de pessoas física, intelectual e emocionalmente saudáveis se alinhada nessa perspectiva,

Usuária de medicamentos homeopáticos, inicialmente por influência de minha mãe, e, a partir de 1982, formalmente por médicos da área, no mesmo ano de 2009, iniciei também o Curso de Homeopatia, voltada ao desejo de ampliar a esfera do conhecimento na área da medicina não tradicional, de abordagem mecanicista,

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muito contraria à minha filosofia de vida, uma vez que percebia suas contribuições, mas, sobretudo, as suas limitações ao considerar o atendimento médico alopático, rápido, esquemático, preso a formalidades técnicas, sem a preocupação de entender a dor da pessoa a sua frente, portanto, frio e desumano, na sua grande maioria. Vários casos de erros médicos já vivenciados, quer na família, quer presenciados em famílias de amigos, reforçavam a minha opção pelo atendimento medico homeopático.

No livro Anti câncer – prevenir e vencer usando nossas defesas naturais, (2008) o médico David Servan-Schreiber, vítima dessa doença, relata como mudou sua visão sobre o tratamento médico e hospitalar antes e depois de ficar doente e precisar do atendimento de profissionais da medicina convencional. Diante dessa mudança, fruto da decepção, em que percebeu o excesso de tecnicismo no atendimento medico e constatar a falta de compreensão com o sofrimento humano, foi que ele, após a volta da doença 5 anos depois, por si, foi buscar a cura em tratamentos alternativos. Dessa busca, ele registrou suas descobertas e sua invenção de como lutar contra esse mal, e assim encontrar uma nova maneira de viver. Trata-se de um testemunho de fonte altamente confiável.

É por essas e outras que, na compreensão de uma aproximação cada vez maior das várias tendências que buscam a manutenção da saúde, a prevenção da doença e até mesmo o seu tratamento em busca da cura, a partir de uma visão holística de homem, procuro agora ampliar o meu universo de conhecimento na área da FQ e sua influência no estudo do ser humano e sua qualidade de vida. Esta busca se justifica pelo reconhecimento das transformações conceituais que vem sendo provocadas pelo novo paradigma cientifico, com base nos princípios quânticos em todas as áreas do conhecimento humano.

Contudo, apesar da minha opção pela medicina homeopática, tenho sido sempre defensora de uma integração da medicina convencional com as diversas concepções da medicina, incluindo aquelas que vêem o homem não só como matéria, mas também como energia, e que fazem uso de tratamentos energéticos, considerados eficazes e menos agressivos, em muitos casos. Com uma experiência pessoal de mais de 30 anos com tratamentos homeopáticos e outros complementares, principalmente fitoterapia, acupuntura e floral, associados em casos especiais a tratamentos alopáticos, sempre com bons resultados, meu desejo é contribuir para que outras pessoas possam ter uma visão mais ampla da saúde e da cura das doenças.

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Embora uma medicina popular cujo emprego ainda é restrito, seja por uma incompreensão de seus fundamentos, seja por falta de entendimento de sua conduta metodológica, seja, ainda, por distorções de seus conceitos.

Mattos (1999)1 conta que atraído pela idéia de escrever sobre homeopatia, dedicou parte do seu tempo para verificar o que havia de cientifico na metodologia terapêutica homeopata que tem mais de 200 anos. Isto contado a partir de Hahnemann, porque se contar a partir das ideias homeopáticas de Aristóteles e Hipocrates, já são mais de 2300 anos.

Essa decisão, diz ele, levou-o a “mexer em formigueiro”, pois acabou por descobrir a existência de duas homeopatias:

 Uma de caráter folclórico, tradicional cheia de conotações religiosas (quase sempre espíritas) e sem preocupações de caráter cientifico, alicerçada em casos clínicos cuja alteração deve-se mais a um mecanismo de fé ou de efeito placebo;

 E outra que atende a critérios mais éticos, quanto aos limites de sua atuação, para a qual existe uma base teórica ancorada na Física Moderna e pós Moderna, mas especificamente, na Física Quântica.

Prossegue o autor, mais adiante: Ao postular que a Homeopatia, assim como a medicina em geral não é uma ciência, apenas portadoras de metodologias, Mattos (1999, p.4) constata que quanto à metodologia homeopática existem duas vertentes:

Uma que funciona e cujos princípios fogem ao entendimento da grande maioria dos homeopatas, dos alopatas e das pessoas em geral que não sabem dizer como, quando e porque funciona…

A outra vertente é a que funciona em grande parte como placebo constituindo esta opção a maior parcela de sua pratica social.

Para esta “variante útil” são fornecidas explicações ingênuas relativas a pseudociências energéticas bem como a interferências psíquicas e espirituais ….

De forma enfática ele conclui: Por incrível que parece foi justamente esta forma de Homeopatia empírica e casuística que conseguiu ser reconhecida como Especialidade Medica.

A primeira, que pode ser chamada de senso comum, foi exatamente aquela que, segundo ele, as entidades oficiais que controlam e regulam o exercício da

1 Aqui não consta número de pagina, pois trata-se de texto apostilado sem a indicação numérica de paginas.

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Medicina (CFM e CRMs), oficializaram no Brasil a pratica como especialidade medica na opção não científica, por não aceitarem a Homeopatia como ciência ou fato científico. É preciso que se ressalte que essa não aceitação pode ser fruto da falta de conhecimento de outros modelos de ciências para estudo do homem, desenvolvidos no decorrer do século XX, como é o caso das ciências compreensivas e existencialistas, já reconhecidas como métodos qualitativos de investigação na área da educação, no Brasil, desde a segunda metade do século XX.

Moreno (2011, p. 141) também aponta essa postura de cientistas e de entidades oficiais com relação à ciência Homeopática. “A homeopatia é tida por muitos cientistas não ser uma ciência porque médiuns, centro espíritas indicam medicamentos homeopáticos sem usar os métodos científicos” Acrescenta, mais adiante: “O método bioenergético, como é aplicado, não é considerado cientifico por cientistas que só usam aparelhos físicos, como raio X, laser, exames laboratoriais” (p.142).

Postura restrita no tratamento da questão médica no país, na medida em que há mais de um século o modelo de ciência que sustenta a medicina tradicional vendo sendo questionada nos seus pilares básicos, Moreno (2011, p. 239) aponta:

Apesar de o povo brasileiro ter o direito constitucional de ter saúde, só existe um modelo de medicina reconhecido e legalizado […] o modelo galênico, alopático. Este método reconhece no seu próprio código que a arte de curar é livre, logo ninguém pode ser proibido de praticar a arte da cura pela homeopatia.

Passados mais de 100 anos de evolução do paradigma quântico, já é momento de se começar a rever as posturas em relação a outras metodologias de prevenção e cura de doenças. Hoje, argumentos sobre a influência do estado energético, mental e emocional, na forma de emoções e sentimentos e de formas- pensamentos negativos sobre a saúde, que somatizam no corpo físico em forma de dores, inflamações, infecções, tumores e outras manifestações estão se tornando cada vez mais freqüentes na ciência médica. Então, não há mais porque recusar as descobertas que trazem uma nova visão de ciência, e da ciência medica em especial, e conseqüentemente, de incluí-las no estudo da saúde humana.

Gerber (2007), Chopra (2009), Damásio (2112, entre outros, dizem haver crescente evidência, até mesmo na área medica convencional, de que as emoções podem afetar a saúde, e acrescentam como essa concepção está se difundindo na área médica de um modo geral. Um exemplo contundente é o livro do Dr. Elias Kobel,

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medico do Hospital Albert Einstein, publicado em 2010 , Coração é Emoção, em que defende que as emoções, boas ou más, podem afetar a saúde do coração e interferir nas doenças cardiovasculares.2

De acordo com o Dicionário de Psicologia (Gauquelin et all, 1980, p.238),

Emoção é uma perturbação intensa da afetividade. Pode ser agradável na alegria, surpresa, simpatia, ou desagradável no medo, na vergonha, na cólera, por exemplo. São numerosas as suas manifestações físicas: paragem ou aceleração da respiração e dos batimentos do coração, contração dos pequenos vasos periféricos (o que faz empalidecer) ou a dilatação dos mesmos vasos ( o que faz corar), contrações viscerais variadas, mudanças do estado elétrico da pele e das secreções glandulares, e mímicas variadas. Quando se prolonga, torna-se emoção sentimento, que se liga à afetividade, e representa um esforço para restabelecer o equilíbrio, apelando para os recursos mais profundos, mais ou menos misteriosos, cuja natureza ainda não conhecemos. (grifo meu)

Melhor ainda do que as definições do dicionário são as considerações expostas sobre o tema por Damásio (2012) que, como neurologista, diretor de um dos principais centros de estudos nessa área, nos Estados Unidos, apresenta detalhada explanação sobre a complexa interação entre corpo e mente, ao considerar ser “a separação abissal entre corpo e mente” o erro de Descartes, (p.319), em seu livro que leva esse nome.

Esse autor diz que o “problema do abismo que separa o corpo da mente na medicina ocidental ainda não é matéria de debate para o publico em geral, embora pareça já ser detectado” (p.226). Esta sua afirmação é mais uma razão e justificativa para a realização deste trabalho. Esta na hora de ampliar esse debate.

Esta na hora de tornar mais presente os ensinamentos decorrentes da mudança de paradigmas que a humanidade vem passando.

Esta na hora de a sociedade voltar-se para o entendimento da abordagem transdisciplinar do saber, cujo objetivo é a unidade do conhecimento, unidade essa que vai no sentido oposto ao da fragmentação. Uma abordagem que possui fundamentos quânticos e contém, na sua estrutura, um profundo questionamento ao cientificismo reducionista. Abordagem que tem entre seus pilares a noção da coexistência de vários níveis de realidade, e a lógica da pluralidade complexa, em que os opostos são polaridades que se complementam (LIIMAA, 2011). O próprio autor lembra que o tradicional símbolo chinês do Tai Chi representa a relação dos

2 Este livro eu ainda não li. Tomei conhecimento dele pela entrevista concedida pelo Dr. Elias Kobel a Revista JT, de 14/11/10, matéria publica com o titulo Haja coração!, de Marici Capitelli.

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opostos yin e yang. Principio que guarda analogia com as descobertas quânticas, ou apenas retoma-se aquilo que ficara submerso pela ciência materialista? Essas são essas noções que precisam ser retomadas nas pesquisas em todos os setores da vida humana, em especial, na área da saúde.

Hoje a ciência quântica com descobertas a revelar que a realidade da matéria é também energia, vem ajudar a tornar mais claro o mundo misterioso do funcionamento do organismo humano, e a entender porque não somos só matéria, isto é, porque não somos apenas um corpo físico, mas sim somos constituídos por uma estrutura muito mais complexa, composta de corpo sutis, em níveis mais profundos, por meio dos quais percorrem fluxos de energia em continua interação.

Chopra (2009, p. 172) elucida melhor essa complexidade. Diz ele, ao falar sobre a estrutura do que ele chama de corpo quântico. É ela

uma rede global de inteligência, o know-how coligido não apenas pelo cérebro como por outros 50 trilhões de células do organismo. Essa rede reage imediatamente aos menores pensamentos e emoções, formando o fluxo constante que é fundamental a nossa natureza. O corpo quântico não está localizado no espaço-tempo e é bem mais abrangente, estendo-se em todas as direções como um campo de energia. Você não pode vê-lo, porque é feito inteiramente de leves vibrações em seu campo, mas pode ter consciência dele. Na verdade, seus sentidos são muito afinados ao corpo quântico, cuja atividade é mais fundamental que a matéria ou a energia.

Quem nunca sentiu essas vibrações fluindo em seu corpo, em seu ser? Elas acontecem continuamente em nosso ser mais profundo, identificadas como energia. São as emoções que perpassam nosso organismo, e o processo de percebê-las relaciona-se com o sentir. O sentimento pode influenciar nossa forma de pensar, assim como o pensar pode influir nas emoções e, consequentemente, no sentir, numa constante interação. Sem duvida, todos já devem ter sentido essa energia, em diferentes intensidades e qualidades, assim como as mais diversas formas de sua manifestação. No entanto, as pessoas sabem reconhecê-la? Sabem lidar com elas?

No contexto de uma sociedade altamente complexa, dinâmica, estimulante de competitividade, individualismo e egoísmo, consumismo e hedonismo, é comum o ser humano se ver submetido a um continuo nível de pressão mental e emocional que chegam aos limites do estresse, sem que ele se dê conta disso, como se viver assim fosse normal. A esse modo de vida, o físico romeno Nicolescu chama de “atrofia do ser interior” e que ele questiona:“seria [esse] o preço a ser pago pelo conhecimento

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cientifico? E ressalta: A felicidade individual e social, que o cientificismo nos prometia, afasta-se indefinidamente como uma miragem” (NICOLESCU (1999, p. 16) apud LIIMAA, 2011, p.66)

As evidências disso na vida cotidiana, no seio familiar, escolar, nas ruas, nos jogos, enfim em praticamente todas as facetas da vida, levam a perceber o quanto essa dimensão invisível que compõem o todo humano está sendo deixada de lado na educação, comprometendo o desenvolvimento social, mental e emocional com consequências nas relações humanas, que derivam em carência afetiva, ansiedade, angustia, estresse e todas as modalidades de comportamento daí decorrentes, como impaciência, intolerância, agressividade, chegando até mesmo à violência, tudo isso com repercussões comprovadas no estado de saúde (Ver explicações de Damásio e outros autores aqui trabalhados) . O problema está em reconhecê-las como tendo influência em nosso corpo físico, a ponto de ser criadora também de sérios casos de adoecimento.

Constata-se assim que as pessoas não são preparadas para lidar com esse mundo de energia que corre dentro de cada um. Isto pode ser consequência da crença arraigada na cultura ocidental, em mais de 300 anos do modelo da ciência cartesiana/newtoniana, materialista, que fragmenta o homem separando o corpo (matéria) da alma (espírito/energia), opostos que na visão quântica se complementam, sendo o corpo/matéria a base de toda ciência, inclusive a medica, que se desenvolveu a partir dos séculos XVI e XVII. Em Damásio (2012, p. 224) encontro um reforço para esta colocação. Diz ele que “o resultado dessa tradição tem sido uma considerável negligencia da mente enquanto função do organismo”. Entre as diversas razões para isso, prossegue o autor, “suponho que a maior parte delas provém de uma visão cartesiana da condição humana”.

Em 1954 o medico Richard Geber publica pela primeira vez o livro Medicina vibracional – uma medicina para o futuro, que repensa os conceitos de doença e cura como tendo origem no plano sutil ou em padrões emocionais. No entanto, é preciso considerar que cerca de duzentos anos antes Samuel Hahnemann, inspirado nos princípios da medicina do médico grego Hipócrates, já apresentava uma visão peculiar de doença e cura, por questionar os métodos da medicina alopática centrada na imagem do homem fragmentado, visão essa que passou a ser conhecida como método homeopático de tratamento e cura das doenças, ou Ciência da Homeopatia.

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O que pode haver em comum entre uma ciência elaborada por Samuel Hahnemann, no século XVIII, e o surgimento da ciência da Física Quântica no inicio do século XX é o que esta pesquisa procura explorar. Muitas são as questões a serem respondidas sobre as relações entre essas duas ciências. Nem todas poderão ser respondidas neste trabalho, por isso proponho para estudo um recorte especifico, de tratamento mais teórico, com a preocupação de buscar subsídios para elucidar a questão proposta a seguir.

Questão da pesquisa

Como a FQ, uma ciência do século XX, pode constituir-se em fundamento para explicar os pressupostos da Ciência da Homeopatia, criada por Samuel Hahnemann, no século XVIII, sobre a origem das doenças?

Objetivo Geral

Produzir conhecimento na área da saúde, a partir de argumentos coletados em diferentes autores, que possa elucidar as relações entre os princípios quânticos e os princípios do método homeopático de identificação e tratamento das doenças, a fim de conferir à medicina homeopática maior credibilidade nos seus estatutos.

Objetivos Específicos

 Descrever a mudança do paradigma cientifico pautado na Física Clássica de Isaac Newton e do filosofo Frances René Descartes para o paradigma da Física Quântica de Einstein e outros.

 Descrever o a influência desses paradigmas na medicina tradicional alopática e comparar com a medicina homeopática.

 Estabelecer uma contraposição entre os métodos tradicionais de cura e as novas descobertas na área da medicina apoiada pelas teses da FQ

 Identificar os princípios da FQ que hoje podem reforçar os fundamentos da ciência medica da homeopatia.

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Metodologia

A metodologia é essencialmente bibliográfica, na medida em que este trabalho procura identificar os princípios de ambas as áreas do conhecimento que se relacionam. Trata-se, portanto de um caminho exploratório, cuja coleta dos dados ocorreu por meio de levantamento em documentos publicados, procedimento de observação indireta com a intenção de buscar na literatura o que há de registrado sobre o tema, até mesmo com o propósito de clarear o problema e criar bases para futuras investigações que reforcem o debate sobre a aproximação dessas duas áreas.

Referencial teórico

A maior referencia para este trabalho poderia ser a minha própria experiência com o uso de medicamentos homeopáticos para tratamento da minha saúde, principalmente no caso dos sintomas agudos. Isto porque esse relato traria um conjunto de informações que correspondem a aspectos teóricos da medicina que são tratados neste trabalho.

Afinal, são mais de trinta anos de uso, praticamente contínuo, em que procurei sempre evitar o uso de medicamentos alopáticos, sobretudo aqueles considerados com mais efeitos colaterais. Como professora doutora em Psicologia da Educação, com titulação adquirida na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, essa qualificação associada ao o tempo de vivencia com medicamentos homeopáticos parecem ser suficientes para atestar a eficiência desse método de cura, ao contrário do que se verifica no conhecimento baseado no senso comum. Percebe-se que no saber comum existem muitas crenças indevidas sobre o uso da homeopatia, assim como muitas informações distorcidas e até mesmo falta de informação adequada sobre sua metodologia e tratamento: a homeopatia não funciona; seu efeito é lento; é uma questão de fé; é medicamento natural, por isso não faz mal, entre outras.

Uma questão de fé? Isto também não está presente no tratamento alopático?. Por que alguns se curam com um dado tratamento e outros não? Uma postura mental na estaria por trás da cura, ou da piora do adoecimento? Essa postura mental pode também ser fruto de crença arraigada na cultura, com de mais de três séculos, nos métodos científicos tradicionais. A fé numa intervenção divina na cura, ou não, a confiança e a empatia com o médico, a postura do paciente diante da doença, sua participação ativa, ou não, no processo de cura, são crenças que mobilizam médicos

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e pacientes. Tudo isso tem a ver com a energia mental de que trata a nova física.. Como o medico pode ter certeza apenas dos efeitos químicos no tratamento? Ele controla todas as variáveis que podem estar interferindo no tratamento?

Bergson e Stark (1998. p. 94) a esse respeito mencionam:

Em pleno século XX, apesar da influência da ciência exercida em outras áreas do conhecimento, a medicina ainda oferece mais cuidados do que de fato cura, mais atenção do que tecnologia [hoje não será o contrario, mais tecnologia e menos atenção?]. Ironicamente, a reputação que os médicos desfrutam através da historia, privilegiados e estimados em todas as culturas e épocas, foi construída e cultivada com base no êxito obtido pelo bem-estar evocado nos três modos de cura inspirada em crenças: a crença do individuo em um tratamento, a crença daquele que cuida do paciente e as crenças compartilhadas por ambos.

Essas crenças do paciente, como estados energéticos, estão presentes e atuando na química das células, segundo os princípios de uma nova física.

Voltando a minha experiência, isto não significa que nunca foi preciso recorrer, às vezes, com a devida orientação do meu homeopata, à procura de tratamentos específicos alopáticos, mas sempre fazendo uso complementar com medicamentos não alopáticos, como fitoterapia, acupuntura e homeopatia. Isto reforça a minha idéia de defender a integração de vários métodos de tratamento. Todavia é preciso deixar claro que nem sempre contei com a abertura dos alopatas para essa integração, abertura esta que com os ensinamentos oriundos do novo paradigma cientifico passa a ser cada vez mais urgente e necessária.

Poderia até ter recorrido ao relato de minha própria experiência como metodologia para este estudo, mas em virtude do pouco domínio nessas áreas do conhecimento, optei, neste momento, por me aprofundar na investigação teórica.

Assim sendo, os referenciais fundamentais para esta pesquisa dizem respeito aos conceitos: de paradigmas cientifico clássico ou moderno, e pós-moderno; medicina tradicional e medicina vibracional; de Física Quântica; de Campo, do conceito de consciência transcendental; pensamento e emoção; saúde e cura nas perspectivas quântica e convencional, todos desenvolvidos no corpo do trabalho.

Estrutura do trabalho

Introdução

Capitulo 1 – Da visão mitológica e filosófica à visão racional e finalmente quântica do conhecimento: O modelo racional newtoniano/cartesiano; A nova Física; O que

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muda no paradigma científico cartesiano/newtoniano; Diferentes abordagens para estudo do homem.

Capitulo 2 – Medicinas sob a rubrica da medicina quântica: A Medicina Vibracional – uma medicina para o futuro; A medicina energética; Medicina quântica e Homeopatia; O campo que cura; A Ciência da Homeopatia de Samuel Hahnemann e a Medicina Quântica.

Capitulo 3 – Análise e interpretação dos dados

Conclusões

Referencias bibliográficas

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CAP. 1

DA VISÃO MITOLOGICA E FILOSOFICA A UMA VISAO RACIONAL E FINALMENTE QUANTICA DO CONHECIMENTO

Neste espaço, o propósito é proporcionar uma rápida passagem pelo processo histórico sobre o modo humano de chegar ao conhecimento, especificamente ao conhecimento da área da saúde, que tem inicio na visão mitológica.

Para iniciar este trabalho que trata do tema da saúde, doença e cura, com foco neste inicio do século XXI, valho-me de Fagundes (2010) para trazer uma síntese da questão da origem das doenças e da cura, tema que preocupa o ser humano desde a antiguidade. A finalidade é ajudar na compreensão do que hoje acontece, para rapidamente remontar às origens dos movimentos em favor da cura, na mitologia – “o pensamento do homem primitivo era mágico e místico” (p. 11).

O inicio remonta à mitologia mesopotâmica, cujo símbolo da medicina – uma cobra enrolada num cajado nasce na Mesopotâmia – já conta com cerca de 5 mil anos. Com os povos mesopotâmicos – assírios, babilônicos, sumérios – a crença em divindades protetoras é considerada o inicio da medicina. (grifos meus)

Os seres humanos foram feitos para servir aos deuses e aos governantes, venerando-os e construindo templos. Aqueles que eram obedientes eram protegidos e aqueles que eram desobedientes eram esquecidos e acometidos de doenças. A magia era a principal medida terapêutica […]. (FAGUNDES, 2010, p. 11)

Entre os sumerianos considerava-se a serpente como símbolo da juventude e da saúde, que mais tarde veio a se tornar representada por uma serpente com duas cabeças enroladas no cajado. Esse símbolo foi transmitido para a civilização grega.

Na Grécia antiga, antes do emprego da filosofia, a representação do mundo era também mitológica – ou seja, dava-se uma explicação não lógica à realidade e sua expressão baseava-se em mitos, uma compreensão irracional, no sentido de que não tinha o amparo de critérios de racionalidade.

Na mitologia grega os deuses inspiravam segurança, diferentemente das mitologias de outros povos vizinhos, que inspiravam medo e temor, sendo

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considerada uma das mais geniais concepções que a humanidade produziu. “na mitologia grega, não foram os deuses que criaram o universo, mas o universo que criou os deuses”, aponta Fagundes (p. 14).

Zeus, ou Júpiter, passou a ser considerado o deus do céu e controlador dos raios, o pai dos deuses (doze) e dos homens, e como rei do céu e do trovão agitava o universo com o movimento de sua cabeça.

A mitologia romana, um conjunto de crenças politeístas – adoração de vários deuses – com nomes diferentes dos gregos, guardava muitas semelhanças com a mitologia grega.

A junção dessas duas mitologias dá origem à mitologia greco-romana.

Na mitologia grega, o termo ‘cura’ vem do centauro mitológico Quíron. Apolo, filho de Zeus, era um Deus puro que curava doentes, e ensinou Quíron a arte da Medicina.

Como mostra Fagundes (2010) os mitos foram as primeiras teorias e explicações que ajudaram na concepção do tratamento das doenças do corpo e da alma, além de ajudar na formação das diferentes culturas. Isto significa que os homens antigos aceitavam sem questionamento as respostas dadas pelos mitos, que ordena agir de acordo com a lei dos deuses.

No entanto, é na Grécia que nasce uma nova forma de ver esse conhecimento, pois que, num dado momento, o homem começa a questionar essas respostas e a lei dos deuses – dando origem à filosofia, uma forma de superação do mito na busca de uma resposta na própria razão do homem.

Com uma das primeiras perguntas o que é o mundo, do que ele é feito? – surge um novo modo de vida – as respostas geram novas perguntas. É a procura pelo saber, tarefa do filosofo que se ocupa do conhecimento – das virtudes intelectuais. As virtudes morais era ocupação do homem da pratica.

O surgimento da filosofia deu grande impulso ao desenvolvimento dos centros de educação na área da medicina, na Grécia. Com isso multiplicam-se os filósofos divididos em pré-socráticos, os socráticos e pós-socráticos (este vai até o inicio da era cristã), assim como as diferentes escolas, cada um e cada uma trazendo importantes contribuições à evolução da historia da medicina. Dessas, vale destacar a Escola de Cós, de onde surge a vertente do medico Hipocrates, vertente que vai dar origem à medicina homeopatia, e a Escola de Cenidos, de orientação do medico Galeno, corrente que vai resultar na formulação da medicina alopática.

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Desse período até o século XVII, momento histórico de interesse deste trabalho, um salto será dado, a ser preenchido apenas por uma síntese elaborada por Capra, (2006), que revela um período de estabilidade na produção do conhecimento.

Antes de 1500, diz Capra, de um modo geral a visão do mundo era orgânica. As pessoas viviam em comunidades pequenas e coesas, caracterizadas pela interdependência dos fenômenos materiais e espirituais e pela subordinação das necessidades individuais às da comunidade.

Porém, no século XVI começam a ocorrer mudanças nesse cenário. Com a ajuda ainda de Capra (2006, p.49), é possível ver como essa mudança vai se operando, até chegar à construção de um novo modelo cientifico.

Conta o autor que “Entre 1500 e 1700 houve uma mudança drástica na maneira como as pessoas descreviam o mundo e em todo o seu modo de pensar”. Até então, prossegue ele,

A visão dominante na Europa, assim como na maioria das outras civilizações, era orgânica, cuja estrutura cientifica assentava em duas autoridades: Aristóteles e a Igreja. No século XIII Tomas de Aquino combinou o abrangente sistema da natureza de Aristóteles com a teologia e a ética cristãs, estabelecendo a estrutura conceitual da ciência durante a Idade Media[…] baseada na razão e na fé, e sua principal finalidade era compreender o significado das coisas e não exercer a predição e o controle [o que viria se tornar] chave do modelo da ciência moderna.

Nesse período, os cientistas medievais, na continua investigação dos desígnios subjacentes nos fenômenos naturais, consideravam do mais alto significado as questões referentes a Deus, à alma e à ética.

Essa perspectiva medieval passa por uma mudança radical com a origem de um novo modelo de ciência. “A noção de um universo orgânico, vivo e espiritual foi substituída pela noção do mundo como se ele fosse uma maquina, e a maquina do mundo converteu-se na metáfora dominante da era moderna,” (CAPRA, p.49)

Essa metáfora perdura ainda hoje na visão ocidental, calcada em mais de 300 anos de vivência nessa cultura, apesar de o século XX começar a assistir o desmoronamento de muitos dos seus conceitos dominantes.

Na sequência, este trabalho vai traçar um panorama do nascimento e evolução do paradigma científico conhecido como Ciência Clássica e apresentar o abalo de seus alicerces.

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1.1. O modelo racional newtoniano/cartesiano

Nascido efetivamente no século XVII, esse modelo, já começava a se esboçar no século XVI com as descobertas do físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano e Galileu Galilei, no campo da Astronomia. Muitas foram suas descobertas nessa área, mas foi com celebre frase de que o Universo é um livro aberto, necessário descobrir as leis que o regem, que fez dele um precursor do modelo científico racional, ao introduzir a metodologia da experimentação a partir do estudo dos fenômenos observáveis e quantificáveis.

As contribuições do cientista inglês Francis Bacon, criador do método indutivo de investigação cientifica, conhecido como empirismo, do físico inglês Isaac Newton com as leis da física, e do filosofo René Descartes ao valorizar a dúvida como base do pensamento racional, são conhecidas como decisivas para o surgimento de um novo modo de conhecer o universo – da noção de UNIVERSO ORGÂNICO, vivo e espiritual, até então, é substituído pela metáfora da MÁQUINA, como visto em Capra (2006) (grifos meus)

Entretanto, a literatura atribui ao filosofo francês René Descartes, usualmente considerado o pai da filosofia, o papel fundamental nessa mudança de paradigma, a partir de sua visão do que poderia ser uma ciência completa da natureza, que prometia a unificação do saber, com a crença na certeza do conhecimento cientifico. Para ele “toda ciência é conhecimento certo e evidente” (CAPRA, 2006, p.53). Somente através da crença na certeza do Conhecimento Cientifico, (base de sua filosofia) seria possível distinguir a verdade do erro – premissa essencial na qual, diz Capra, ele errou, pois a Física do século XX mostrou que não existe verdade absoluta em ciência.

O fundamento de seu método é, portanto, a DÚVIDA – de tudo, exceto do pensamento: Penso logo existo. Cogito, ergo sum. O pensamento é a essência da natureza humana – as coisas concebidas clara e distintamente pela mente pura e atenta – intuição – como a dedução, é o caminho para o conhecimento certo e verdadeiro. Seu método é analítico – consiste em decompor pensamentos e problemas em suas partes e dispô-las em ordem lógica (CAPRA, P. 2006, p.54). (Vale lembrar que nessa época a emoção é concebida como separada da razão, pois que vista como perturbadora do pensamento, alias toda a subjetividade é deixada de lado, como se ela não existisse).

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Assim sendo, vê-se que Descartes baseou sua concepção da natureza na divisão entre mente, ou rex cogitans, a coisa pensante, e matéria (corpo), ou rex extensa – a coisa extensa. Aqui ele faz a divisão fundamental entre dois domínios os quais foram considerados como separados e independentes: o da mente e do corpo.

Seguindo o raciocínio de Capra (2006), embora mente e matéria fossem criação de Deus, para Descartes, o universo material era uma maquina, pois na matéria não havia propósito, vida ou espiritualidade. Associada à física de Isaac Newton, que forneceu uma consistente teoria matemática do mundo, passou a conceber o funcionamento da natureza de acordo com as leis mecânicas, e tudo poderia ser explicado por meio da organização e do movimento de suas partes. Esse modelo mecânico da natureza, aprimorado pelos princípios matemáticos desenvolvidos por Newton, passou a ser o paradigma dominante da ciência, deste então.

São as leis mecânicas, oriundas da física newtoniana sobre o estudo de partículas, associadas às idéias cartesianas sobre a separação mente-corpo, que passam a dar sustentação ao novo conceito de universo, visto como uma máquina, cujo funcionamento é semelhante ao do relógio. Cria-se, então, a metáfora da organização do Universo Máquina, em contraposição à da organização como um sistema vivo. Surgem, assim, as bases para um novo modelo de ciência – cujo método analítico, de influência cartesiana, pensa o universo reduzido a peças elementares e fragmentadas.

No estudo do homem, que nesse contexto é separado da natureza, modelo adotado pela psicologia e demais ciências humanas, a visão unificada dá lugar à visão do homem fragmentado. Isso levou ao que hoje a humanidade experimenta como fragmentação do pensamento, das disciplinas acadêmicas, ou reducionismo na ciência.

A ciência clássica ou moderna, como passou a ser conhecida, distanciando-se cada vez mais da crença no ser Divino, como nutria Descartes, ganhou impulso entre os cientistas, cada vez mais materialistas, e desde então vem dominando o pensamento ocidental, espalhando-se para o resto do mundo, nos últimos três séculos, adentrando-se o século XXI, apesar de estar fundada no erro de Descartes, como descreve Antonio R. Damásio (2012) .

Desse modo, esse modelo de ciência, realista e materialista, cujos princípios ainda orientam a pesquisa na área das ciências humanas – ordem, separabilidade,

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objetividade e razão absoluta – começa a se defrontar com novas descobertas no âmbito da física e da neurobiologia. No século passado, essa ciência que nasceu com o propósito de desvendar as leis da natureza como verdades absolutas, deu-se com a verdade de que essas verdades não existem. São elas sempre descrições limitadas a dados recortes da realidade, portanto, concepções provisórias de realidade, com períodos cada vez mais curtos de duração, em decorrência da própria evolução científica e tecnológica, cuja velocidade nas últimas décadas é surpreendentemente cada vez mais acelerada.

Todavia, como diz Liimaa (2011) as idéias de Galileu, Descartes e Newton talvez tenham moldado de tal maneira o pensamento científico que elas parecem estar impregnadas nas crenças, nas vivencias e na alma das pessoas, gerando resistências a outras abordagens cientificas que não se encaixem no modelo do diretamente observável, quantificável e controlável, como é o caso das descobertas relacionadas ao mundo subatômico pela Física Quântica.

1.2. A Nova Física

A revolução cientifica do século XX de que falam os autores pesquisados diz respeito à mudança do paradigma cientifico cartesiano/newtoniano, com vigência desde o século XVII, para o paradigma quântico, em virtude de novas descobertas no campo da Física Clássica (FC), construída graças à engenhosidade do físico inglês Isaac Newton, que deu prosseguimento aos estudos iniciados por Galileu Galilei.

O modelo cientifico pautado na leis da FC, consolidadas na Mecânica newtoniana – MC, e nas teses filosóficas de Descartes, após 300 anos de domínio cientifico, de certeza nos seus pressupostos, por volta dos anos 1900, começa a esbarrar em algumas limitações. Esbarrou, por exemplo, na noção de velocidade muito grande, como é o caso da luz; mostrava-se incapaz de explicar os átomos e outros microssistemas, ou seja, a natureza atômica e molecular das substâncias; e, ainda, alguns conceitos começavam a ser considerados errôneos, como: tempo e espaço.

Até então algumas ocorrências, como estudos na área elétrica e eletro magnética, já vinham contribuindo para esse desenlace, porém foram as descobertas ocorridas no inicio do século XX que determinaram os rumos da construção do novo paradigma.

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Sobre a natureza atômica e molecular das substancias, conta Liimaa, (2011, p. 34), que a MC não dava conta de explicar a radiação dos corpos aquecidos, a partir da observação do corpo negro. O corpo negro, explica o autor, é considerado o radiador ideal de energia térmica, não sendo necessariamente de cor negra. Os mais comuns são objetos metálicos ocos que , quando aquecidos, emitem radiação por uma pequena cavidade.

Foi em 1900, que o físico alemão, Max Plank em experimentos encontrou uma justificativa teórica explicativa para a radiação do corpo negro através de valores discretos, descontínuos de energia. Ele descobre as partículas muito pequenas, obscuras que fogem à percepção comum, cujos efeitos quânticos não seriam perceptíveis em níveis macroscópicos.

Diz Liimaa (2011, p.36)

Nesse modelo, a radiação era emitida e absorvida, saltando de um nível para outro, em pequenos pacotes de energia, denominados quanta, plural de quantum, a menor quantidade de energia disponível na natureza para uma dada freqüência. Mais tarde, Einstein daria o nome de quanta de luz, que posteriormente viriam a se chamar fótons, que significa partícula de luz […] Os níveis de energia quantizados ou estados quânticos revelaram-se o ousado salto conceitual que marcou a teoria de Plank, dando inicio à teoria quântica. As partículas só emitem ou absorvem energia ao mudarem seu estado quântico, ou seja, ao saltarem de um nível para outro de energia.

No entanto, para Capra (2006, p. 70) o inicio da nova física foi marcado pela proeza intelectual de Albert Einstein, em dois artigos publicados em 1905, em que introduzia duas tendências revolucionarias no pensamento cientifico. Uma foi a teoria da relatividade; a outra um novo modo de considerar a radiação eletromagnética, que se tornaria característico da teoria quântica, a teoria dos fenômenos atômicos.

Começava a se desenvolver uma teoria para explicar observações no mundo invisível, em escalas microscópicas, pois a “teoria quântica foi desenvolvida para explicar observações nos átomos” (GILMORE, 1995, P. 9).

Segundo Liimaa (2011), os artigos de Einstein publicados em revista cientifica européia, viria abalar os alicerces da ciência.

Um deles sobre o efeito fotoelétrico, propunha que a luz, possuidora de um comportamento característico ondulatório comprovado a partir dos efeitos de interferência e difração, era constituída de partículas – os fótons , com as mesmas

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características dos quanta. Partículas de luz, os fótons não possuíam massa, porém tinham energia.

Em outro artigo, continua a explicar Liimaa, Einstein apresentou a descoberta de que massa e energia são duas faces de uma mesma moeda, sendo massa uma forma de energia condensada. Sua equação matemática E=mc2 comprova essa relação entre massa e energia.

Com o efeito fotoelétrico, um novo paradoxo era criado, pois a luz, sendo tratada como onda, até então, apresentava-se como partícula (base da Mecânica clássica de Newton), revelando um comportamento contraditório para o pensamento cientifico da época. Afinal, a luz é uma onda ou uma partícula? A grande pergunta que se instalava entre os cientistas, lembrando que, pela visão quântica, os contrários se complementam, e a tensão, que se cria entre eles promove uma unidade mais ampla que os inclui, graças a outro pilar da transdisciplinaridade, o terceiro incluído, ou seja, a presença de observador consciente. (NICOLESCU, 1999, apud LIIMAA, 2012, p. 67).

Para ajudar a esclarecer, Liimaa prossegue:

Uma onda é algo que se movimenta no espaço, propagando energia e informação, podendo precisar de um meio material para se propagar (ondas mecânicas) ou fazê-lo no vácuo (ondas eletromagnéticas) (p.32).

Segundo o autor, Christian Huygens, no século 17 já aventava a hipótese de que a luz era uma onda, e não formada de partículas, como defendia Newton, mas foi Thomas Young, século 18/19, quem consolidou a teoria ondulatória, comprovando ser a luz uma onda transversal.

Essa descoberta dual partícula/onda, viria provocar outros efeitos no campo da FC, pois com sua visão determinística, afirmava que o estado futuro de um corpo poderia ser determinado a partir de um estado inicial conhecido, isto é, poderia ser mensurado, praticamente sem erro, com aperfeiçoamento de aparelhos de medida.

Porém, na FQ a realidade é outra. Werner Heisenberg vai provar que, no mundo subatômico, a medição não é bem assim. É com um exemplo que Liimaa (p.47) ajuda a entender o principio de medição verificado por Heisenberg.

Imaginemos que um observador, através de um microscópio óptico, tente medir a posição e a velocidade de um elétron. Vale lembrar que só conseguimos ver algo ser houver luz no ambiente. Sendo assim, para visualizarmos um elétron, temos que iluminá-lo. Como a luz possui fótons, pelo menos um fóton terá que atingi-

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lo para que possamos vê-lo. Entretanto, ao atingir o elétron, o fóton transfere energia para ele, alterando, assim, a sua posição e a sua velocidade. Ou seja, o método utilizado influência diretamente na precisão da medida, Como não é possível medir sem interagir, o estado do sistema é alterado pelo processo de medição introduzindo uma incerteza no resultado final.

Foi assim que em 1927, Werner Heisenberg, físico alemão, resolveu o problema da medição no mundo subatômico, enunciando o principio da incerteza, segundo o qual, nesse mundo, jamais se pode determinar com precisão a posição e a velocidade de uma partícula.

Esse princípio, prossegue o autor, se aplica também às grandezas tempo e energia. Se determinarmos com precisão o tempo gasto num evento subatômico, teremos total imprecisão acerca da energia envolvida no processo. Com essa descoberta, fica estabelecido que no mundo subatômico não se trabalha com certeza (absoluta como pretendia a FC), mas com probabilidades e possibilidades em relação a um dado estado. Heisenberg cria o modelo matemático fundamentado no conceito de matrizes, mecânica matricial – o que justifica o comportamento probabilístico da matéria, o que dá origem à mecânica quântica, a partir da associação com a versão ondulatória complementar descoberta por Erwin Schödinger, o qual propôs que as partículas fossem representadas por modelos matemáticos denominados funções de onda – dão informações sobre o estado da partícula e explicam o comportamento probabilístico e incerto das partículas no interior do átomo.

Sobre isso, diz Gilmore (1995, p. 9):

É impossível enfatizar suficientemente o notável sucesso pratico da mecânica quântica. Embora o resultado de um medida possa ser aleatório e imprevisível, as previsões da teoria quântica se ajustam consistentemente aos resultados médios obtidos a partir de muitas medidas. Qualquer observação macroscópica envolverá inúmeros átomos e, portanto, inúmeras observações em escala atômica.

O terreno da Física Clássica se mostrava cada vez mais instável. Em 1920, conta Capra, em Copenhague, houve uma reunião de físicos notáveis, denominada Interpretação de Copenhague, a qual elaborou a base do conhecimento que mostrava essa instabilidade.

No século XX os físicos enfrentavam, pela primeira vez, um serio desafio a sua capacidade de entender o universo. Todas as vezes que faziam uma pergunta à natureza, num experimento atômico, a natureza respondia com um paradoxo e, quanto mais eles se esforçavam para esclarecer a situação, mais agudos os paradoxos se tornavam. […]. Somente depois de muito tempo esses físicos aceitaram o fato de que os paradoxos com que se deparavam

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constituem um aspecto essencial da física atômica, percebendo, então, que eles surgem sempre que alguém tenta descrever fenômenos atômicos em função de conceitos clássicos. Uma vez percebido isso, os físicos começaram a aprender a fazer perguntas certas e a evitar contradições. CAPRA (2006, p.72)

Por exemplo, aceitaram o modelo de átomo de Bohr que cria os saltos quânticos.

Segundo Liimaa (2011) o átomo tem um núcleo, em torno do qual, em orbitas especificas, estacionárias, o elétron não irradiava energia. Cada elétron só podia ocupar determinada orbita com uma energia definida. Ao ganhar ou perder energia, ele salta para uma outra orbita, absorvendo ou emitindo fótons. Como a energia dos fótons só esta disponível na natureza em pacotes (os quanta) com valores determinados, os elétrons só podem se transferir para determinadas orbitas com valores de energia bem definidos e descontínuos.

O modelo de Bohr colocava a ciência diante da “estranheza” do mundo subatômico com suas orbitas estacionárias e os saltos descontínuos dos elétrons, os saltos quânticos. Bohr inaugurava a contradição dentro da ciência.

Com isso fica pergunta – onde estará o elétron ao pular de uma orbita para outra? Com essa pergunta, conta Liimaa, nasce a hipótese de universos paralelos de Hugh Everett – que evidenciaria uma realidade além do espaço-tempo convencional.

A contradição, antes desprezada pelo modelo clássico, torna-se agora um dos cernes do modelo quântico, pois outro principio seria criado a partir dessa pergunta. A resposta a ela estabelece o que Bohr denominou o principio da complementaridade. Segundo ele, as duas idéias ou modelos são complementares, pois tendo a luz uma natureza dual, ora comporta-se como onda, ora como partícula. Porem, somente um desses aspectos é revelado numa experiência. “Com isso o observador, junto com o método utilizado na observação, determinava a natureza da luz”. Isso introduz a noção do papel do observador [concebido como neutro na FC] na definição da realidade. (LIIMAA, 2011)

As descobertas não param por ai, mas para o interesse deste trabalho, o que foi apresentado oferece um panorama do que foi a mudança paradigmática ocorrida no século XX.

Como coloca Capra (2006,p.72), a nova física passou a exigir profundas mudanças nos conceitos de espaço, tempo, matéria, objeto e causa e efeito; como

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esses conceitos se apresentavam como fundamentais para o nosso modo de vivenciar o mundo , sua transformação causou um grande choque.

Segundo esse autor, a exploração do mundo atômico e subatômico colocou os cientistas em contato com uma estranha e inesperada realidade que pulverizou os alicerces da sua visão de mundo e os forçou a pensar de um modo inteiramente novo.

Idéia também apresentada pelo físico Goswami que fala em abalos sofridos pela FC. é o que passo a tratar agora.

1.3. O que muda no paradigma científico cartesiano/newtoniano

Não só os princípios basilares da Física Clássica que dão sustentação ao paradigma cientifico moderno sofrem transformação, como muda também toda a compreensão do pressuposto de Descartes que separa mente e corpo, com o fito de neutralizar a ação da subjetividade sobre a racionalidade, considerado hoje um grande erro da teoria cartesiana. Quem faz esta observação é o neurobiólogo Dr. Damásio (2012).Em seu livro O erro de descartes – emoção, razão e cérebro, ele relata que seus estudos feitos com pacientes com deficiência de decisão apontava uma profunda alteração da capacidade de sentir emoções, levando-o a estabelecer a correlação “ de que a emoção era um componente integral da maquinaria da razão. Duas décadas de trabalho clinico e experimental com muitos doentes neurológicos [diz ele] permitiram-me repetir inúmeras vezes essa observação e transformar uma pista numa hipótese testável” (p. 16).

Sua investigação levou-o a sugerir que “certos aspectos do processo da emoção e do sentimento são indispensáveis para a racionalidade”[…]. Sentimentos e emoções podem encontrar-se enredados nas teias da razão, para o melhor e para o pior”. Sugere ainda que “a razão humana depende não de um único centro cerebral, mas de vários sistemas cerebrais […] tanto as regiões cerebrais de ‘alto nível’ como as de ‘baixo nível’, desde os córtices pré-frontais até o hipotálamo e o tronco cerebral, [que] cooperam umas com as outras na feitura da razão”(p.17).

A integração corpo e mente aparece bem salientada ao tratar da emoção, como idéia importante de que “ a essência de um sentimento (o processo de viver uma emoção) não é uma qualidade ilusória associada a um objeto, mas sim a percepção direta de uma paisagem especifica: a paisagem do corpo” (p.18).

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Mais adiante ele acrescenta:

Os sentimentos juntamente com as emoções que os originam, não são um luxo […]. Ao contrario […] são precisamente tão cognitivos como qualquer outra percepção. São o resultado de uma curiosa organização fisiológica que transformou o cérebro no publico cativo das atividades teatrais do corpo (p.19).

A principio “o conceito de espírito humano proposto aqui pode não ser intuitivo ou reconfortante”, a menos que se confunda o próprio fenômeno com os componentes e operações que estão por trás. “Não é isso que proponho aqui”, diz ele (p.20).

De grande interesse também é sua manifestação a seguir:

Descobrir que um certo sentimento depende da atividade num determinado numero de sistemas cerebrais específicos em interação com uma serie de órgãos corporais não diminui o estatuto desse sentimento […] Tampouco a angustia ou a sublimidade que o amor ou a arte podem proporcionar são desvalorizadas pela compreensão de alguns dos diversos processos biológicos que fazem desses sentimentos o que eles são. Passa-se precisamente o inverso: o nosso maravilhamento aumenta perante os intrincados mecanismos que tornam tal magia possível. A emoção e os sentimentos constituem a base daquilo que os seres humanos têm descrito há milênios como alma ou espírito humano” (2012. P. 20, grifo meu)

Por fim, é bom ver como ele define emoção e sentimento. Emoção, diz ele:

É a combinação de um processo avaliatório mental, simples ou complexo, com respostas dispositivas a esse processo, em sua maioria dirigidas ao corpo propriamente dito, resultando num estado emocional do corpo, mas também dirigidas ao próprio cérebro (núcleos neurotransmissores no tronco cerebral), resultando em alterações mentais adicionais […] reservo o termo sentimento para a experiência dessas mudanças. (p.135)

Todo seu livro é dedicado a descrever a intrincada relação entre os domínios do corpo e mente, cuja separação serviu de base à concepção da filosofia cartesiana, um dos sustentáculos da Ciência Clássica que hoje vê seus pilares sendo ameaçados por novas descobertas cientificas.

Recorro a Goswami (2000, pp.41 a 52), acrescido de outros autores, para falar dessas ameaças ou abalos aos dogmas científicos tradicionais no modo de

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compreender o universo da perspectiva da física newtoniana. Isso vai dar ao leitor uma noção mais clara do que muda no modo de conceber o conhecimento cientifico e, no caso deste trabalho, no modo de saber como se constitui a ciência medica tradicional e, consequentemente, em poder entender como opera uma ciência medica pautada em parâmetros quânticos.

Segundo Goswami, na Ciência Moderna (CM), já que o mundo é concebido como uma máquina, semelhante a um relógio,.o princípio do determinismo causal concebe que toda mudança, ou todo movimento, de um objeto é determinada pelas suas condições iniciais e pelas forças materiais que agem sobre ele.

Liimaa (2011, p. 25) acrescenta:

À visão mecanicista do universo, como uma maquina, associa-se um rigoroso determinismo. Tudo que acontecia tinha uma causa definida e o efeito era também definido. O futuro de qualquer parte do sistema poderia ser delineado a qualquer momento, já que todo movimento de um objeto é determinado pelas condições iniciais – posição e velocidade- e pelas forças materiais atuantes sobre ele.

Isto garantia previsibilidade com segurança da ocorrência de eventos futuros. No entanto, como já foi visto anteriormente,

Foi Heisenberg em sua investigação do micro mundo, objeto da teoria quântica, que descobriu não ser possível medir simultaneamente, com precisão absoluta, a posição e a velocidade de um objeto, na medida em que elas se alteram quando submetidas à medição. A essa indeterminação foi dado o nome de principio de incerteza, idéia que no decorrer do século XX foi, cada vez mais, ganhando impulso. (LIIMAA, 2011, p. 25)

Outra reviravolta, aponta Goswami, refere-se à noção de continuidade da Ciência Moderna (CM) de que todo movimento ou mudança acontece de maneira continua, passando por todos os valores intermediários, entre dois pontos (veja o exemplo dos ponteiros do relógio), sofre abalo quando Max Plank, em seu estudo sobre trocas de energias, como visto acima, descobre a idéia de quantum, o que veio mostrar que a energia não é trocada de modo continuo, como definida pela Ciência Moderna, mas em pedaços finitos, descontínuos, discretos, ou saltos quânticos, conforme o Modelo de Bohr.

Quanto ao dogma da Localidade, com a descoberta de Einstein de que os objetos materiais estão sujeitos ao limite da velocidade da luz – 300 km por segundo, a CM definiu que todas as causas e os efeitos são locais, isto é, se propagam no espaço com velocidade finita, num tempo finito.

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Com a mudança no conceito de tempo, surge o conceito de não-localidade. Goswami (2006, p. 79) diz que a não-localidade quântica […] se assemelha a um evento do que Carl Jung chamou de sincronicidade – coincidências significativas atribuíveis a uma causa comum”.

McTaggart (2008, p.35) tem mais a dizer sobre este conceito:

a física quântica descobriria uma estranha propriedade, chamada “não-localidade”, no mundo subatômico, que se refere à capacidade de uma entidade quântica, como um elétron individual, influenciar instantaneamente outra partícula quântica a distancia, mesmo sem ter ocorrido nenhuma troca de força ou energia. Isto quer dizer que quando as partículas quânticas entram em contato uma com as outras, elas mantêm uma ligação mesmo quando separadas, de modo que as ações de uma influenciarão nas da outra, não importa o quanto se separem. […] mas esse fato que tem sido decididamente confirmado por uma serie de físicos desde 1982.

A noção de campo de que trata McTaggart explica essa possibilidade de influência a distancia. Ela mesma acrescenta:

A não-localidade abalou os alicerces da física, [porque] as partículas subatômicas não encerravam nenhum significado enquanto entidades isoladas, podendo apenas ser compreendidas por intermédio de seus relacionamentos. O mundo, em sua essência, existia como uma rede complexa de relacionamentos interdependentes, para sempre indivisíveis. (p. 35, grifos meus)

O mundo como uma rede complexa de relações é coerente com a as descobertas da microbiologia, diz Liimaa: “somos apenas uma parte da teia da vidam e não o topo da pirâmide como pensávamos; na verdade, a pirâmide nem existe, o que prevalece é a visão de rede em que tudo esta, de alguma forma interligado: a imensa teia da vida” (2011, p. 72)

Outro pressuposto da Ciência Moderna, a Objetividade, diz Goswami que também não se sustenta, pois a concepção desse paradigma vê o mundo material como independente da consciência, ou seja, da subjetividade dos observadores, dada à idéia de que, segundo o materialismo e o reducionismo, tudo é feito de matéria (átomo), portanto, todo fenômeno tem uma origem material a que pode ser reduzido, assim como observado, medido, portanto, controlável.

Ele mesmo explica, aquilo que já foi visto, que com a FQ os objetos quânticos passam a ser vistos não só como matéria, mas também como elétrons – ondas transcendentes em potência – que quando observadas sofrem um colapso como partículas localizadas, e como tal podem estar em dois lugares ao mesmo tempo.

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Com isso, Heisenberg e Niels Bohr ajudam a compreender o papel crucial do observador na configuração da realidade3. Em outras palavras, o viés do observador afeta o objeto observado. Por exemplo, algumas pesquisas viam o ovo como o vilão do colesterol. Hoje, outras apontam que não é bem assim. Afinal, o que mudou?

Sobre isso McTaggart (2008, p.36), diz:

Talvez o componente mais essencial desse Universo interligado fosse a consciência viva que o observava. Na Física Clássica, o experimentador era considerado uma entidade separada […] A Física Quântica, contudo, descobriu que o estado das possibilidades de qualquer partícula quântica colapsava em uma entidade determinada assim que era observada ou quando era feita uma medição.

Mais adiante, ela acrescenta: Isso “sugeria que a consciência do observador conferia vida ao objeto observado. Nada no Universo existia como ‘coisa’ efetiva independentemente da nossa percepção dela. Criamos o nosso mundo a cada minuto de cada dia”. Um exemplo corriqueiro pode ilustrar: se o nosso pensamento é positivo, vemos as coisas com bom humor; se o nosso pensamento é negativo, as mesmas coisas vão ser vistas com mau humor.

O que ajuda a entender porque a pesquisa científica, sobretudo na área das ciências humanas, deixou de ser apenas quantitativa, para assumir o lado qualitativo dos fenômenos objetos de observação, ou seja, o lado subjetivo. A medicina não pode se eximir de cuidar desse aspecto dessa totalidade – objetividade/subjetividade – que é o ser humano.

Voltando a Goswami, com as descobertas da FQ também fica abalada a noção de epifenomenalismo que considera todos os fenômenos subjetivos, inclusive a própria consciência, como epifenômenos da matéria. A consciência vista como um epifenômeno do cérebro, numa estrita causação ascendente – as partículas elementares formam os átomos, estes formam as moléculas, que formam as células, que formam o cérebro e este gera a consciência – perde sustentação. Para a física quântica, desde a partícula até o cérebro tudo continua sendo ondas de possibilidade.

Isto não seria possível, uma vez que a realidade não nos é dada pronta e acabada e apenas registrada no cérebro. Somos nós quem criamos a realidade. Este pressuposto que confere mudança na concepção de consciência e da percepção humana, em

3 Esta descoberta vai ser fundamental para a compreensão do conceito de consciência, que por razões do tema aqui tratado, não vai ser desenvolvido em profundidade. Merece ser objeto de outro trabalho. Sobre isto Goswami diz que a realidade não é dada, mas criada pelo observador. Em outras palavras, não e a realidade que cria a consciência, mas a consciência que cria a realidade. Isto traz significativa transformação na psicologia da percepção humana.

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virtude das descobertas sobre o papel do observador, traz profundas conseqüências no modo de se relacionar consigo mesmo e com o ambiente que nos cerca. E essa concepção que possibilita entender a força do pensamento, das emoções e dos sentimentos na criação da doença e da cura.

Por fim , graças à compreensão do universo como um todo, surge na ciência um novo conceito Contextualismo. Ele expressa a idéia de que os valores das grandezas físicas podem refletir não apenas as propriedades do objeto, mas também de todo o seu “contexto”. Foi esse traço que levou David Bohm a desenvolver a idéia de que há um holismo, ou “totalidade’ no mundo. Esse conceito, de forte influência nas ciências humanas, traz uma nova forma de entender o comportamento humano, antes restrito a uma concepção genética, agora passa a ser visto em relação à cultura ou ao meio-ambiente em que o sujeito vive, entendendo meio-ambiente aqui como desde o mais próximo, local, até o mais distante, cósmico, no tempo e no espaço.

Resumidamente, são esses os grandes abalos causadores da revolução no paradigma científico que retoma a visão do universo como totalidade, agora visto como organizado em redes complexas de interconexões. Essa mutação para uma compreensão da complexidade cósmica é bem tratada por Frijof Capra, em várias de suas obras.

Em O Ponto de Mutação (2006, p.72), ele se manifesta dizendo que, em contraste com a concepção mecanicista cartesiana, a visão do mundo que surgiu a partir da física quântica pode caracterizar-se como orgânica, holística e ecológica.

Assim prossegue ele:

O universo deixa de ser visto como uma máquina, composta de uma infinidade de objetos, para ser descrito como um todo dinâmico, indivisível, cujas partes estão essencialmente inter-relacionadas e só podem ser entendidas como modelos de um processo cósmico.

Se antes do descobrimento da FQ supunha-se que o mundo era completamente previsível, isto é, ao se realizar experimentos idênticos, esperava-se resultados idênticos, hoje, depois de toda as descobertas pela nova física, o mundo não é completamente previsível.

Para a área médica, essas transformações são fundamentais para se repensar a doença, a sua origem e as formas de tratamento, pois hoje, em pleno século XXI, como diz Liima, a física quân

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